04
Aug 08

Cinema - Jennifer Lynch

Entrevista muito interessante com a cineasta Jennifer Lynch, filha do diretor David Lynch para o site Cinecartaz no Publico.pt.

Jennifer Lynch
Jennifer Lynch, de 40 anos, fala com o ritmo invulgar do pai, David Lynch. Ambos têm vozes ásperas. A diferença é que enquanto o pai pode ter já atingido o cume da sua carreira, a da filha está a arrancar - e não escapa às comparações, que lhe são desfavoráveis. Mas são poucos os cineastas que poderiam ter lidado bem com o desastre do filme de estreia, como acomteceu com Jennifer, em 1993, com “Boxing Helena” - antes disso, em 1990, tinha escrito “O Diário Secreto de Laura Palmer”, livro associado à série Twin Peaks, que foi um sucesso. Mas ela é uma sobrevivente. Aos 19 anos um acidente de automóvel deixou-lhe danos horríveis nas costas que poderiam ter acabado com a sua vida. Foi submetida a três intervenções cirúrgicas e desenvolveu dependência de analgésicos, que usava para aliviar as dores. Ultrapassou isso. Aqui está ela, e dizer que está cheia de vida é pouco. “Vigilância”, que agora está nas salas, é um “thriller” sobre um “serial killer”, com Bill Pullman e a subestimada Julia Ormond. Interpretam dois detectives na pista de um assassino… Mas dizer mais é estragar o possível divertimento.

Fala como o seu pai…

Sim, eu sei. O que é estranho é que o meu pai também se senta assim [senta-se direita]. Há uma fotografia de nós assim num sofá. É uma excelente fotografia de família.

É uma maldição ou uma bênção ser filha de David Lynch?

Enquanto cineastas, esperam mais de nós. Sofia Coppola não tem hipótese senão fazer bons filmes, de outra forma está lixada. Não é um mistério a razão por que Nicolas Cage [sobrinho de Francis Coppola] mudou de nome. Mas na vida real o meu pai é um grande homem. Superfixe, superdivertido, calmo, não há nada de errado com ele.

É verdade que “Eraserhead” (David Lynch, 1977) foi inspirado pelo seu nascimento?

Sim. Aconteceu algo de especial quando fiz 40 anos, este ano. Estávamos a falar sobre “Eraserhead” e lembrei-me do meu pai a queixar-se de ter uma mulher e uma filha e de como isso não é vida de artista. É por isso que em “Eraserhead” há um bebé doente, e que pesadelo que é; e o pobre tipo não consegue ter sexo…
Nas semanas anteriores ao meu aniversário o meu pai tinha estado a reunir filmes, de mim quando era bebé e com a minha mãe [os pais separaram-se quando ela tinha seis anos] e com ele, em 8 mm e 16 mm, depois transferiu-os para vídeo e montou tudo. Juntou-lhe a música que ouvia quando se apaixonou pela minha mãe e era a minha música preferida quando era criança e tudo isto com “Viva a Jenno! Feliz aniversário! Amo-te!”, e ele ficou ali a soluçar e eu fiquei ali a soluçar com a minha filha.

Quais são as suas memórias de “Eraserhead”?

Levou sete anos a acabar. Houve tantos problemas com o finaciamento, que nunca sabíamos quando íamos filmar. Vivíamos no local de rodagem e a equipa técnica era a minha nova família. Quando finalmente foi acabado eu disse: “Pai, decididamente, isto não é um filme para crianças”, e ele disse que desejava que esse tivesse sido a frase promocional.

É o seu filme preferido?

É um dos meus preferidos, “O Homem Elefante” e “Veludo Azul” são os meus preferidos. “O Homem Elefante” revela o lado poeta que há no meu pai e “Veludo Azul” o “voyeur”, o inocente e o criminoso que existem nele. Adoro essa dualidade.

Há quanto tempo é que conhece Bill Pullman, intérprete do seu filme e intérprete de filmes do seu pai?

Desde os meus 20 anos. Conheci-o depois de ter escrito “Boxing Helena” e ele era para ter protagonizado o filme, juntamente com Madonna. As coisas deram para o torto quando [o compositor] Andrew Lloyd Webber disse a Madonna que ela não podia fazer de Evita se entrasse em “Boxing Helena”. Ela escreveu-me uma carta linda, telefonou-me a chorar e também pagou tudo o que já tínhamos gasto. Foi admirável, ela sabia que éramos uma pequena produção. Estranhamente, a partir daí o filme começou a ficar maior do que era e os produtores quiseram outra estrela [Kim Basinger, que se afastou depois do projecto, dando origem a um conflito judicial; o papel acabou por ir parar a Sherilyn Fenn, de Twin Peaks].
Eu queria fazer um pequeno filme com Madonna e contar a minha pequena história de encantar. Mas quando isso falhou, o meu coração nunca esqueceu Bill enquanto actor. Ele ainda tem tanto para explorar e tanto ainda com que nos deliciar. Quando o meu pai acabou de escrever “Estrada Perdida”, disse: “Não conheço actores, não conheço actrizes”. Falei-lhe no Bill. O Bill é da família, os nossos filhos andam na mesma escola e vivemos todos em Los Feliz, zona residencial de Los Angeles.

O que quer dizer o crédito de produtor executivo que o seu pai tem no filme?

O que quer dizer, para começar, é que ele leu o argumento, mas o que realmente quer dizer é que eu não estaria aqui hoje, de pé, se o meu pai não me tivesse ajudado a pagar a cirurgia à coluna vertebral. Como é que dizemos obrigado? Decidi que queria fazer isso independentemente daquilo que pudessem pensar. Ele disse: “Eu nem sequer estou perto da rodagem, tu escreveste o argumento”. Mas quando lhe mostrei o filme disse-lhe: “Vamos combinar uma coisa. Se não gostares tiras o nome dos créditos”. Ele já tirou o nome dos créditos de muitos filmes onde foi produtor executivo quando não gostou deles. Quando se acenderam as luzes depois da projecção ele disse: “Eu quero o meu nome em letras maiores”. E eu disse: “A sério, pai? Esse é um grande elogio!”

Porque é que chamou ao filme “Vigilância”?

Pareceu-me apropriado. É um filme sobre pessoas que usam câmaras de vigilância para se observarem umas às outras. Mesmo os que estão a ser observados sabem que estão a ser observados. É também um filme sobre como as pessoas mudam as suas histórias com base no que vêem e naquilo que presumem sobre os outros.

Lynchiano é uma palavra que aplica ao seu filme…

Sim, eu sei. Ha ha ha.

Quando estava a crescer, o seu pai era lynchiano?

A primeira coisa que ele adorava fazer quando eu era bebé era pendurar uma carteira de fósforos num cordel, dobrar os fósforos em todas as direcções e pendurar aquilo muito perto da minha cara e observar como eu reagia. Fazemos brinquedos daquilo que arranjamos, mas lynchiano era uma coisa normal para mim. Num ano, para o aniversário da minha mãe, ele não lhe tinha feito um presente e ela estava quase a chegar a casa. Então pegámos em baldes e fomos para a rua e levámos terra para a sala de jantar. Enchemos a mesa de jantar de terra - não estou a brincar -, amassámos tudo e fizemos buracos. Ele fez pequenas figurinhas de barro, e meteu-as nos buracos e essa criação ficou lá durante anos. A minha mãe chegou a casa e disse: “Adoro!”. E isso era normal para mim, como “vamos fazer-lhe qualquer coisa”. Nunca me ocorreu que as outras pessoas não fizessem isto umas pelas outras.

As pessoas dizem que você e o seu pai gostam da escuridão.

Nós vivemos juntos uma vida muito feliz.

Fonte: Helen Barlow / Cinecartaz no Publico.pt.

01
Aug 08

Design, Peter Saville & Factory Records


Foram muitos os trabalhos do designer Peter Saville para a Factory Records. O site Cerysmatic Factory, que une várias imagens e artigos sobre a Factory, tem em sua coleção uma lista com muitos dos trabalhos feitos pelo designer(nem todos específicos para a Factory). Para conferir mais, basta clicar aqui.

21
Jul 08

Literatura - Entrevista com William Faulkner

Entrevista muito interessante, disponibilizada no site Revista Bula, traduzida do El Oficio Del Escritor, 1965.

William Faulkner
William Cuthbert Faulkner é considerado um dos maiores escritores norte-americanos do século XX. Em 1949, ganhou o Prêmio Nobel de Literatura. Posteriormente, ganhou o National Book Awards de 1951 com Collected Stories e o prêmio Pulitzer em 1955 por A Fable. Utilizando a técnica de “fluxo de consciência” consagrada por James Joyce, Virginia Woolf, Marcel Proust e Thomas Mann, Faulkner narrou a decadência do sul dos EUA, interiorizando-a em seus personagens, a maioria deles vivendo situações desesperadoras no condado imaginário de Yoknapatawpha.

Existe alguma fórmula, que seja possível seguir, para ser um bom romancista?
William Faulkner - Noventa por cento de talento, noventa por cento de disciplina, noventa por cento de trabalho. Um romancista nunca deve sentir-se satisfeito com o que faz. O que se faz nunca é tão bom como poderia ser. Sempre há que sonhar e dirigir-se mais alto que alguém possa sonhar. Não se preocupar em ser melhor que seus contemporâneos ou seus predecessores. Buscar, apenas, ser melhor que a si mesmo. Um artista é uma criatura impulsionada por demônios. Não sabe, jamais, por que eles o escolhem e, geralmente, está muito ocupado para perguntá-los. É completamente amoral no sentido de que será capaz de roubar, tomar emprestado, mendigar ou despojar a qualquer um e a todo mundo, com o fito de realizar sua obra.

Você quer dizer que o artista deve ser completamente inumano?
William Faulkner - O artista é responsável somente ante sua Obra. Será completamente inumano se, realmente, é um bom artista. Tem um sonho, e este sonho o angustia tanto que deve livrar-se dele. Até então, não tem paz. Coloca-o à margem: a honra, o orgulho, a decência, a segurança, a felicidade, tudo, sob o fito de escrever seu livro. Se um artista verdadeiro, necessita roubar de sua mãe, para realizar sua Obra, não hesitará em fazer tal coisa.

Então, a falta de segurança, de felicidade, honra, etcétera, seria um fator importante na capacidade criadora do artista?
William Faulkner - Não. Essas coisas somente são importantes para sua paz e seu contentamento. A arte nada tem a ver com a paz e o contentamento.

Então, qual seria o melhor ambiente para um escritor?
William Faulkner - A arte nada tem a ver com o ambiente, não lhe importa onde esteja. Se você se refere a mim, o melhor emprego que jamais me ofereceram foi o de administrador de um bordel. Em minha opinião, esse é o melhor ambiente em que um artista pode trabalhar. Goza de uma perfeita liberdade econômica, está livre do temor e da fome, dispõe de um teto sobre sua cabeça e nada tem que fazer senão levar umas poucas contas simples e ir pagá-las, uma vez ao mês, à polícia local. O lugar está tranqüilo durante a manhã, que é a melhor parte do dia para se trabalhar. Nas noites existe a suficiente atividade social, para que o artista não se aborreça, se não lhe importa participar dela, o trabalho dá certa posição social, nada tem ele que fazer porque a encarregada leva os livros, todas as empregadas da casa são mulheres, que, certamente, o tratarão com respeito e lhe dirão “senhor”. Todos os contrabandistas de licores da localidade também lhe dirão “senhor”. Um mal ambiente somente o fará subir a pressão sangüínea, ao fazer-lhe passar mais tempo se sentindo frustrado ou indignado. Minha própria experiência me ensinou que os instrumentos que necessito , para um ofício, são papel, tabaco, comida e um pouco de whiski..

Bourbon?
William Faulkner - Não, não sou tão melindroso. Entre escocês e nada, fico com o escocês.

Você mencionou a liberdade econômica. O escritor necessita dela?
William Faulkner - Não. O escritor não necessita de liberdade econômica. Tudo que ele necessita é de um lápis e um pouco de papel. Que eu saiba, nunca se escreveu nada de bom com o objetivo de aceitar dinheiro como presente. O bom escritor nunca recorre a uma fundação. Está sempre muito ocupado escrevendo algo. Se não é bom de verdade, se engana dizendo que necessita de tempo ou de liberdade econômica. A boa arte pode ser produzida por ladrões, contrabandista de licores ou bandoleiros. A gente realmente teme descobrir, exatamente, quantas penúrias e pobrezas é capaz de suportar. E a todos é o susto de saber quão duro isso pode ser. Nada pode destruir um bom escritor. Somente a morte pode alterar um bom escritor. Os que são bons não se preocupam em ter êxito ou fazer-se ricos.

Trabalhar para o cinema é prejudicial para a própria obra do escritor?
William Faulkner - Nada pode prejudicar a obra de um homem, se este é um escritor de primeira, nada pode ajudá-lo muito. O problema não existe, se o escritor não é de primeira, porque, certamente, já terá vendido sua alma por uma piscina.

Você disse que o escritor deve transigir quando trabalha para o cinema. E quanto `a sua própria obra, tem alguma obrigação para com o leitor?
William Faulkner - Sua obrigação é fazer sua obra, ao melhor que possa fazê-la. Qualquer obrigação que lhe fique depois disso, pode gastá-la segundo sua vontade. Eu, da minha parte, estou muito ocupado para me preocupar com o público. Não tenho tempo para pensar em quem me lê. Não me interessa a opinião de João Leitor sobre minha obra nem sobre a de qualquer outro escritor. A norma que tenho que cumprir é a minha, e essa é a que me faz sentir como me sinto quando leio A Tentação de Santo Antônio ou o Antigo Testamento, do mesmo modo que observar um pássaro me faz sentir bem. Se eu reencarnasse, sabe você que eu gostaria de voltar a viver como um zopilote. Ninguém o odeia, nem o repudia, nem o quer, nem o necessita. Ninguém se mete com ele, nunca está em perigo e pode comer qualquer coisa

Que técnica utiliza para cumprir sua norma?
William Faulkner - Se o escritor está interessado na técnica, mais lhe vale dedicar-se à cirurgia ou assentar tijolos. Para escrever uma obra não tem nenhum recurso mecânico, nenhum atalho. O escritor jovem que segue uma teoria é um tonto. Ele tem que ensinar-se por meio de seus próprios erros; é somente através do erro que a gente aprende. O bom artista acredita que ninguém sabe o bastante para lhe dar conselhos. Tem uma vaidade suprema. Não importa o quanto admira o escritor velho; quer, na verdade, superá-lo.

Então, você nega a eficiência da técnica?
William Faulkner - De nenhuma maneira. Algumas vezes, a técnica arremete e se apodera do sonho, antes que o próprio escritor possa apreendê-lo. Isso é giro de força e a obra terminada é simplesmente questão de juntar bem os tijolos, posto que o escritor provavelmente conhece cada uma das palavras que vai usar até o fim da obra, antes de escrever a primeira. Isso aconteceu com Mientras Agonizo. Não foi fácil. Nenhum trabalho honrado o é. Foi simples enquanto todo o material estava já na mão. A composição da obra me custou somente umas seis semanas, ao tempo livre em que me colocava ao emprego de doze horas ao dia, trabalhando manualmente. Simplesmente imaginei um grupo de pessoas e as submeti às catástrofes naturais universais, que são a inundação e o fogo, com uma motivação natural simples que lhe desse direção ao seu desenvolvimento. Mas quando a técnica não intervem, escrever é também mais fácil em outro sentido. Por que em meu caso sempre há um ponto no livro em que os próprios personagens se levantam e tomam o mando e completam o trabalho. Isso sucede, digamos, no correr da página 275. Claro está que eu não sei o que sucederia, se terminasse o livro na página 274. A qualidade que um artista deve possuir é a objetividade ao julgar sua obra, mais honradez e o valor de não se enganar a respeito. Posto que nenhuma de minhas obras tem satisfeito minhas normas, devo julgá-las sobre a base daquela que me causou a maior aflição e angústia, do mesmo modo que a mãe ama ao filho que se converteu em ladrão ou assassino mais que ao que se converteu em sacerdote.

Como começou O Som e a Fúria?
William Faulkner - Começou com uma imagem mental. Eu não compreendi naquele momento que era simbólica. A imagem era a dos fundilhos enlodados das calcinhas de uma menina, que subia a uma pereira, de onde ela podia ver, através de uma janela, o lugar em que estava sendo efetuado o funeral de sua avó, e ela relatava a cena aos irmãos, então ao pé da árvore. Quando cheguei a explicar quem era eles e o que estavam fazendo e como haviam enlodado as calcinhas da menina, compreendi que seria impossível colocar tudo em um conto e que o relato teria que ser, com certeza, um livro. E então compreendi o simbolismo das calcinhas enlodadas e essa imagem foi trocada pela a da menina órfã de pai e mãe, que se evade pelo tubo de deságua do teto para escapar-se de casa, onde nunca tivera amor, nem afeto, nem compreensão. Já havia começado a contar a história através dos olhos do menino idiota, porque pensava que seria mais eficaz. Não deu certo. Tratei de voltar a contá-la, agora através dos olhos de outro irmão. Tampouco, deu resultado. Contei-a pela terceira vez através dos olhos do terceiro irmão. Novamente, não deu resultado. Tratei de reunir os fragmentos e de encher as lacunas, fazendo eu mesmo as vezes do narrador. No entanto, não ficou completa, até quinze anos depois da publicação do livro, quando escrevi, como apêndice de outro livro, o esforço final para acabar de contar a história final e tirá-la da cabeça de modo que eu mesmo pudesse me sentir em paz. Esse é o livro pelo qual sinto mais ternura. Nunca pude deixá-lo de lado e nunca pude contar bem a história, ainda quando a intentei com afinco. Eu gostaria de voltar a intentar novamente, ainda que, provavelmente, fracassando outra vez.

Há vantagem artística ao compor o romance em forma de alegoria, como, por exemplo, a alegoria cristã que você utilizou em Uma Fábula?
William Faulkner - A mesma vantagem que representa para o carpinteiro construir esquinas quadradas ao construir uma casa quadrada. Em Uma Fábula , a alegoria cristã era a alegoria indicada para aquela história.

Quer dizer que um artista pode usar o cristianismo simplesmente, como qualquer outra ferramenta, da mesma maneira que um carpinteiro tomaria emprestado um martelo?
William Faulkner - Ao carpinteiro, do qual estamos falando, nunca falta esse martelo. A ninguém falta cristianismo, se nos colocamos de acordo enquanto ao significado que damos à palavra. Trata-se do código de conduta individual de cada pessoa, por meio do qual esta se faz um ser humano superior ao que sua natureza quer que seja. Qualquer que seja seu símbolo – a cruz ou a meia lua ou o que fosse -, esse símbolo é para o homem a recordação de seu dever como membro da raça humana. Suas diversas alegorias são os modelos com os quais se mede a si mesmo e aprende a conhecer-se. A alegoria não pode ensinar o homem a ser bom, do mesmo modo que o livro de texto lhe ensina matemática. Ensina-lhe como descobrir-se a si mesmo.

Foram reunidos, em um só volume, os dois temas, não selecionados, de As Palmeiras Selvagens com algum propósito simbólico? Trata-se, como sugerem alguns críticos, de uma espécie de contraponto estético ou de uma simples causalidade?
William Faulkner - Não, não. Aquilo era a história de Charlotte y Harry Wilbourne, que sacrificaram tudo pelo amor e depois perderam isso. Eu não sabia que iam ser duas histórias separadas senão depois de haver começado o livro. Quando cheguei ao final do que agora é a primeira parte de As Palmeiras Selvagens , compreendi, subitamente, que faltava algo, que a história necessitava de ênfase, algo que a levantasse como o contraponto na música. Então, voltei a dar-lhe intensidade com outra parte de sua antítese, que é a história de um homem que conquistou seu amor e passou o resto do livro fugindo dele, até ao grau de voltar, voluntariamente, ao cárcere em que estaria a salvo. São duas histórias somente por causalidade, talvez por necessidade. A história é a de Charlotte e Wilborune.

Que parte de sua obra se baseia em experiência pessoal?
William Faulkner - Não lhe saberia dizer. Nunca fiz a conta porque a particularidade não tem importância. Um escritor necessita de três coisas: experiência, observação e imaginação. Em meu caso, uma história geralmente começa com uma só idéia, uma só recordação ou uma só imagem mental. A composição da história é simplesmente questão de trabalho até o momento de explicar por que ocorreu a história ou que outras coisas fizeram ocorrer a sua continuação. Um escritor trata de criar personagens verdadeiras em situações comovedoras verdadeiras da maneira mais comovedora que possa. Obviamente, deve utilizar como um de seus instrumentos o ambiente que conhece. Eu diria que a música é o meio mais fácil de se expressar, posto que foi a primeira que se produziu na experiência e na história do homem. Mas, posto que meu talento reside nas palavras, devo tratar de expressar de maneira torpe, em palavras, o que na música pura havia expressado melhor. É dizer que a música o expressaria melhor e mais simplesmente, mas eu prefiro usar palavras, do mesmo modo que prefiro ler e escutar. Prefiro o silêncio ao som, e a imagem produzida pelas palavras ocorre no silêncio.

Você disse que a experiência, a observação e a imaginação são importantes para o escritor. Incluiria você, também, a inspiração?
William Faulkner - Eu não sei nada sobre a inspiração, porque não sei o que é isso. Já ouvi mencionar acerca dela, mas nunca a vi.

fonte: Revista Bula

16
Jul 08

Research Studios Showreel

Portfolio da agência londrina Research Studios, dirigida pelo designer Neville Brody, designer famoso pelo uso diferenciado da tipografia desde os anos 80, onde trabalhou na já extinta revista “The Face”.

01
Jul 08

Tipografia - FedEx Box

Fedex Box
caixa fedex
caixa fedex tipografia

fonte: Fortheloveoftype

01
Jul 08

Tipografia - Write here, right now

8 horas de escrita
5 canetas…

Tipografia no corpo
tipografia no corpo
body typography

fonte: Fortheloveoftype

01
Jul 08

Café & Design - Pôsters Starbucks

Pôsters Starbucks espalhados por Nova Iorque.


Fonte: Flickr

26
Jun 08

Arte & Música - Sigur Rós

O site da banda Sigur Rós, além de dar informações sobre os músicos, datas de tunê, vídeos e algumas músicas gratuitas, também possui uma seção de arte, seção esta que inclui a famosa imagem da capa do CD “Ágætis Byrjun”. Vaja abaixo esta capa e mais alguns trabalhos. Para ver todos, acesse o link: http://www.sigur-ros.co.uk/media/art.php

capa cd Sigur Ros
arte sigur ros
imagem sigur rós

24
Jun 08

Eco - Propagandas do Peta

“A produção de grãos de uma fazenda com 100 hectares pode alimentar 1.100 pessoas comendo soja, ou 2.500 com milho. Se a produção dessa área for usada para ração bovina ou pasto, a carne produzida alimentaria o equivalente a oito pessoas.” Revista Época.

Uma solução para a “crise dos alimentos”?

Veja abaixo uma seqüencia de propagandas do Peta sobre a alimentação vegetariana:

23
Jun 08

Cinema & Design - Saul Bass

O designer Saul Bass(1920 - 1996), além de famoso pela criação de identidades visuais de grandes empresas(por exemplo AT&T, United Airlines e Warner), também foi o responsável por diversas aberturas de filmes dos cineastas Alfred Hitchcock, Otto Preminger, Stanley Kubrick e Martin Scorsese. Entre elas por exemplo estão as famosas Psicose, Anatomy of a Murder, Bonjour Tristesse, Vertigo e The Man With The Golden Arm, que casam uma trilha sonora perfeita com um trabalho gráfico e uma tipografia invejável. Todas essas cinco aberturas você pode conferir abaixo:

Psicose

Anatomy of a Murder

Bonjour Tristesse

Vertigo

The Man With The Golden Arm

23
Jun 08

Design, Embalagens & Café - Intelligentsia Coffee

Embalagem do “Intelligentsia Coffee”, uma empresa que fabrica cafés finos em Chicago.
Embalagem desenvolvida pela empresa “Planet Propaganda“.
Veja abaixo:
Embalagem de café
Fonte: The Dieline

20
Jun 08

Design - Wim Crouwel

Wim Crouwel é tipógrafo e designer gráfico, nascido na Holanda na cidade de Groningen em 1928. Iniciou seus estudos em artes plásticas em 1946 na academia de arte Minerva (Groningen) onde teve contato com o trabalho do cartazista art decô A M Cassandre. Reconhecido pela qualidade de suas ilustrações, os projetos do artista francês também se destacavam pelo aspecto plástico e refinado dos alfabetos que desenhava. Essa característica teria servido como o estopim do interesse pessoal de Crouwel no desenvolvimento de suas primeiras experiências tipográficas.

Em 1952, após completar seus estudos preliminares, Crouwel muda-se para Amsterdam e sob a orientação do professor Charles Jongejans inicia uma promissora carreira como designer gráfico. Ao lado de seus colegas Otto Treumann e Dick Elffers, Wim Crouwel destacava-se com trabalhos de grande investigação formal, aprofundando sua linguagem gráfica em uma vasta gama de cartazes, calendários e peças de publicidade - tendo como principais clientes museus e fundações de arte.

Win Crowel New Alphabet
O trabalho de Crouwel baseava-se sobretudo na criação de letterings gerados a partir de estruturas geométricas e sistemas modulares, assim como na utilização racional das grades de construção - inspirado no tradicional design gráfico suíço. Interessado por novas tecnologias, Crouwel estendeu o uso dessas estratégias aos novos meios eletrônicos de geração de imagens, como os monitores dos primeiros microcomputadores e as máquinas de fotocomposição. Por conta deste interesse, entre 1965 e 67, desenvolve seu mais conhecido projeto tipográfico: o sistema ‘new alphabet’. Nesta experiência radical, o designer propõe um alfabeto projetado especialmente para os equipamentos de fotocomposição, criando letras estritamente geométricas adaptadas aos recursos de visualização da nova tecnologia. O projeto torna-se rapidamente objeto de crítica e reflexão, contestado pela pouca legibilidade da proposta, mas respeitado por antecipar questões relativas às novas possibilidades tecnológicas.

Em 1963 Crouwel funda com mais quatro colegas o primeiro coletivo de design gráfico dos Países Baixos, o estúdio Total Design, que se manteve em atividade até a década de 80. O estúdio tornou-se mundialmente conhecido pela abordagem racional e funcionalista de seus projetos, tornando-se um dos ícones do Estilo Internacional.

Ainda em 1963, desenvolve seu primeiro projeto filatélico para a empresa Dutch PTT. Ao lado de Otto Treumann, Wim Crouwel seria responsável por transformar a filatelia holandesa num universo de experimentação gráfica sem paralelos no resto do mundo, retomando após 30 anos o mesmo espírito de vanguarda antecipado por Piet Zwart, Kiljan e Schuitema. Especialmente na década de 70, Wim Crouwel é um dos profissionais responsáveis pelo que há de mais interessante e moderno no design filatélico mundial, influenciando com seus trabalhos projetistas do mundo inteiro.

Wim Crowel
Em 1976, desenvolve uma série de selos permanentes utilizando uma de suas experiências tipográficas mais bem sucedidas - a família Gridnik. Neste trabalho Crouwel faz uso do alfabeto inicialmente projetado para uma máquina de escrever da Olivetti, que não chegou a ser produzida. As letras são construídas dentro de uma grade geométrica respeitando a angulação de 45° em suas diagonais. O selo (exclusivamente tipográfico) circulou ao longo de 25 anos, deixando de ser emitido apenas em 2001.

Entre 1985 e 1993, torna-se diretor do Museu Boijmans Van Beuningen em Rotterdam, envolvendo-se com diversas exposições e atividades acadêmicas, lecionando em importantes escolas européias.

Ao longo de sua carreira, Wim Crouwel não havia efetivamente produzido nenhum de seus alfabetos, utilizando-os apenas em seus próprios trabalhos. No final da década de 90, encontra-se com o designer e tipógrafo inglês David Quay: sócio e responsável pelos projetos comercializados na distribuidora inglesa The Foundry. Desse encontro são produzidos arquivos digitais dos alfabetos de Crouwel, ampliando e imortalizando suas experiências tipográficas. O conjunto desenvolvido apresenta as famílias Gridnik, New Alphabet, Fodor, Catalogue e Stedelijk.

Aos 80 anos, Wim Crouwel ainda é um importante membro da cena contemporânea do design gráfico holandês, trabalhando como freelancer e consultor.

fonte: Design & Filatelia

19
Jun 08

Café - Os benefícios do Café

O café já pode ser riscado da lista de pecados para a saúde. Porém, sem excessos. O ideal, apontado por estudiosos do assunto, é o consumo de até quatro xícaras por dia. Um dos principais mitos que envolvem a bebida - os seus malefícios para o corpo e o cérebro - começa a ser revisto em pesquisas que vão além do estudo da cafeína. Uma modificação desse cenário no Brasil pode ser comprovada no levantamento feito, neste ano, pela TNS InterScience sobre o café e seus consumidores. Ele revela uma queda de 50%, em 2003, para 39%, em 2007, no porcentual de pessoas que indicam os riscos à saúde como motivo para não apreciar a bebida. E demonstra, ainda, uma tendência de crescimento no consumo futuro.

Lançado em 2007 no País, o livro “Café: a bebida revolucionária para o prazer e a saúde”, do médico Darcy Lima, com co-autoria de Roseane Santos, traz uma nova perspectiva sobre o grão e seus efeitos à saúde. A publicação mostra que não só de cafeína é feito o café. Ele é rico em antioxidantes, minerais e vitaminas, entre outras substâncias químicas que estimulam o cérebro. Entre elas, estão potássio, magnésio, cálcio e ferro, aminoácidos, lipídios, açúcares, vitamina B e ácidos clorogênicos. Os autores abordam, ainda, estudos que investigam os benefícios da bebida na prevenção de doenças como depressão, mal de Parkinson, mal de Alzheimer e câncer. A difusão das informações, segundo os escritores, é mais uma forma de desmistificar o senso comum de que café faz mal.

Cafeína e saúde

As pesquisas sobre a bebida não param de surgir de diferentes partes do mundo e apontam novas vantagens do grão para a promoção da saúde. A revista Cancer Research publicou há pouco tempo um estudo do doutor T. Hashimoto, da Universidade de Minnesota, Estados Unidos, no qual ele defende que “a cafeína inibe a proliferação celular, base do desenvolvimento do câncer”. Já um grupo de pesquisadores do Centro de Pesquisas Medical de Kaiser Permanente, Califórnia, também nos Estados Unidos, liderado pelo Dr. C. Morton, encontrou um pequeno efeito protetor do café contra a pancreatite (inflamação do pâncreas) em 129 mil indivíduos que consumiam álcool. Essa ação reduziu a incidência de pancreatite em até 25%.

A proteção contra o diabetes é outro fator em análise pelos pesquisadores. Muitas são as investigações em andamento que, a cada nova divulgação, trazem informações reveladoras sobre uma das bebidas mais apreciadas em todo o mundo. Apesar de seus inúmeros benefícios, é essencial recordar-se de que o excesso de café, assim como de qualquer outro alimento ou bebida, pode trazer riscos para a qualidade de vida. Por isso, a palavra-chave continua sendo moderação.

Fonte: Embrapa Café, site Café&Saúde e USP / Amantes do Café

17
Jun 08

Receitas Café XII - Café Noturno

café receitas
Ingredientes:

1 cálice de vinho do Porto
1/2 cálice de licor amaretto
1 colher de sobremesa de leite condensado
1 dose de café passado
1 rama de canela
canela para polvilhar

Modo de Preparo:

Misture bem numa coqueteleira o café, o vinho do porto, o amaretto e o leite condensado. Despeje numa taça de vidro e salpique canela no topo e complete com uma rama de canela para mexer.

fonte: Astoria Café

17
Jun 08

Música - Batcave Club

Batcave foi um famoso clube londrino aberto em 1982, por Ollie Wisdom, líder da banda Specimen.

As bandas que mais tocavam eram os Alien Sex Fiend(veja vídeo abaixo) e os Sex Gang Children, muito influenciadas pelo Horror existente na cultura pop britânica, que começaram a desenvolver um som mais obscuro, separando-as das bandas britânicas de New Wave e Glam. Além disso, muitos músicos famosos frequentavam assiduamente o Batcave, entre eles Robert Smith(The Cure), Siouxsie, Foetus, Marc Almond, Nick Cave, Danielle Dax,…

Alien Sex Fiend no Batcave em 1984

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